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Diario de Bordo 1 | Amplifica no Vale do Silício

Diario de Bordo 1 | Amplifica no Vale do Silício

Atualmente são muitas as missões para o Vale do Silício na área de empreendedorismo e negócios, e também algumas na área de educação. Tudo é planejado.

No nosso caso, não foi intencional como algo que tínhamos pensado em fazer, aliás conhecemos iniciativas fantásticas no Brasil e na América Latina, educadores inovadores fazendo acontecer o aprendizado em condições extremamente adversas, são eles que nos inspiram todos os dias em nosso propósito.

Contudo no início do ano recebemos um convite do Google para participar de um evento de educação exclusivo para parceiros no Vale do Silício, percebemos que poderia ser uma boa oportunidade para ampliar a conexão com outros educadores, escolas e programas que ampliassem a visão e nos trouxessem insights para o nosso trabalho com educadores, líderes educacionais e instituições com quem trabalhamos para o Amplifica.

E nesta série vamos compartilhar as maiores lições deste processo.

A primeira?

Não exite em entrar em contato com as pessoas e perguntar nas redes.
Há sim uma generosidade quando você tem uma rede que foi construída com relações e conexões que são genuínas. Com uma simples postagem nas redes e uma pergunta no incrível grupo de educadores Google recebemos várias dicas, sobre o que fazer e quem conhecer no período que estaríamos aqui. Conseguimos também informações com quem nunca tínhamos falado, e muitas possibilidades de encontros surgiram. É incrível o poder das conexões, de uma agenda que só tinha o encontro no Google, fechamos encontros por toda a semana, começando na manhã seguinte à nossa chegada. Instituições também querem contar suas histórias e mostrarem seus cases com o orgulho de quem constrói algo de valor para a comunidade. Então, a máxima é se conectar, mesmo que timidamente a princípio, a comunidade que você tem a seu redor é a sua jóia mais valiosa.

Começamos nosso dia sem muito saber o que esperar. Despretenciosamente, mas com o desejo de ver algo que nos trouxesse alguma forma de aprendizado ou insight. Expectativas super atendidas.

A 42 University já fazia parte de algumas de nossas palestras sobre modelos inovadores e contemporâneos de educação, mas  queríamos ainda mais profundidade de entedimento principalmente nos detalhes da estruturação do programa e na percepção dos alunos sobre sua dimensão na vida acadêmica deles. Fomos recebidos pelo super solícito aluno da 42, o Rene Ramirez. O “dropout” do curso de Medicina em San Francisco que agora não só estuda na 42, como também faz parte da equipe de eventos e comunidade da Universidade.

Alguns dos aprendizados da 42 e que acreditamos ser um modelo a ser explorado inclusive na formação de professores (e, na verdade, ficamos felizes de percebermos que já temos boas pitadas destes elementos em nossos programas do Amplifica).

Level up e Desafios, começando na piscina.
Chegamos ao imenso espaço aberto com vários computadores e jovens. De um lado, um grupo focado que estava fazendo o exame da piscina. Piscina? Isso mesmo! O mergulho inicial dos candidatos que queriam ingressar no 42. Um processo seletivo de 28 dias, 12 a 15 horas por dia de imersão em que os alunos são inicialmente desafiados a desenvolver seus primeiros projetos de programação. Tudo dentro da premissa de desafios e resolução de problemas autodirigida e em comunidade, com muito aprendizado por pares. É na piscina que o candidato entende se está preparado para o desafio maior dos próximos anos de suas vidas. Os números não nos causaram nenhum alarde, 30% desiste nas primeiras semanas. Neste processo ou você passa ou reprova. Rene, nosso guia, não passou de primeira. Perdeu seu alojamento no campus (sim, há 100 vagas no dormitório para quem está na piscina), mas não desistiu. Teve uma segunda chance, e determinado a evoluir, passou os seus novos 28 dias de piscina dormindo em seu carro no estacionamento da 42.

Todos têm o que aprender e o que ensinar.
Na 42 não há professores formais. É uma Universidade e não é porque não é certificada porque não segue as regras necessárias de uma instituição de ensino superior. No entanto, foi ao longo dos anos desenvolvendo uma reputação pela qualidade técnica e socioemocional de seus alunos que é reconhecida por sua excelência no mercado. Sua essência? Um programa em 3 eixos, como se fosse um jogo, com várias fases, gamificado em que os jogadores-alunos passam por vários níveis, 21 no total que demonstram que estão aptos e desenvolveram as competências e habilidades essenciais em programação, algoritmos ou design gráfico. E como evoluem? Aprendendo com os pares, ensinando outros, e avaliando os projetos dos pares. Tudo é ensino e aprendizado.

Não ter professor, não significa que não há uma proposta pedagógica. Há um conselho acadêmico, mas aqui a lógica de mentoria e aprendizado está entre os próprios pares e na rede. Então a conclusão que chegamos é que a proposta da 42 University não é a exclusão dos professores é a ideia de que todos somos professores.

Nas trilhas formativas, há espaço para diferenciação e personalização. 
Em cada nova fase do processo, os alunos recebem um roteiro do projeto. A forma como irão desenvolver seus projetos são várias. Não há apenas um caminho para a programação, ou uma resposta certa. E mesmo dentro dos 3 eixos (programação, algoritmos e design gráfico) há flexibilidade para o aluno escolher sua “própria aventura” para finalizar as 21 fases. Na tela, quando você olha as trilhas formativas, parecem bolhas contidas de aprendizagem que se ligam em uma rede neural. Até na decisão de que caminho seguir, o aluno faz erros, acertos, passa, reprova e decide se quer ir em frente ou mudar de rota.

Métrica de sucesso é alinhamento da proposta pedagógica com o que o mercado precisa.
Em um mundo que nossos jovens são pressionados cada vez mais para desenvolverem competências e habilidades que vão muito além das técnicas, incluindo atitudes e capacidades para a colaboração, pensamento criativo, resolução de problemas, comunicação.  Quanto mais ambientes educacionais promoverem o desenvolvimento de jovens conectados, fazedores, equilibrados emocionalmente, e ainda com alta capacidade para participarem da solução dos desafios que as empresas enfrentam, mais próximos estarão de trilharem seus caminhos profissionais sendo requisitados pelas empresas. O gap de falta de mão de obra qualificada para o mercado só começa a ser resolvido com propostas pedagógicas diferenciadas, mas qualificadas para um olhar de desenvolvimento mais integral dos jovens. Na 42, não há métricas de evasão. Sucesso é ter jovens requisitados e atuantes no mercado. Em geral, alunos que não se adaptaram as escolas formais, desenvolvem grandes projetos por lá, e arruma excelentes empregos na região do Vale do Silício.

Impacto combinatório.
Frank Diana, um futurista que adoramos, fala sempre que a função dos educadores e da educação é ajudar os alunos a serem conectores de pontos para gerarem impacto social. Na 42, Jamie, uma das funcionárias com a qual o Rene trabalha, nos falou sobre este conceito de fazer com que os alunos com diferentes experiências nas áreas do conhecimento colidam, se encontrem para resolverem os problemas que enfrentam de forma criativa e inovadora. Será que aqui não estamos vendo o que impacto combinatório pode ser na prática? E que tipo de perfil se desenvolve nos alunos que eles levam para o mercado que os tem disputado?

Não há perfeição no modelo, mas há uma vontade de fazer diferente e mostrar que é possível.
Certamente, a 42 tem seus desafios, mas deixa visível e latente a percepção de que busca sim transformar a experiência de aprendizagem em algo mais lúdico, desafiador, e, acima de tudo, explorando o pleno potencial cognitivo e emocional dos jovens. Não dizemos sempre que queremos jovens que sejam mais autônomos e autodirigidos, jovens com profundidade nos temas e articulados para defenderem seus pontos de vista, jovens que consigam lidar com o fracasso e superá-lo em forma de projetos bem estruturados e desenvolvidos?

Para nós ficou claro que sim é possível explorar novas possibilidades metodológicas, mas para isso você precisa acreditar no potencial e capacidade produtiva dos jovens e dar voz a eles por meio de seus projetos.

E daí ficam aquelas perguntas,
Será que eles estão preparados para isto? E, nós, como educadores, conseguimos criar trilhas formativas, mas sem interferir tanto no processo de aprendizagem, deixando que este tome forma nas interconexões com os pares, a rede, e as tecnologias?

A 42 University começa a operar este ano no Brasil, no Rio e em São Paulo. Será que haverá algum tipo de adaptação no modelo ou sua essência será mantida sem ajustes? Será que nossos alunos estão prontos para um modelo autodirigido em que a pressão está neles mesmos e nos resultados que produzem passando de fase? E os pais, o que acharão dos filhos em uma universidade que não tem diploma e não é reconhecida pelo sistema formal de ensino?

Para que um modelo inovador surja, é preciso, acima de tudo a coragem de enfrentar todas as barreiras invisíveis que lutam para manter o sistema educacional como nos conhecemos há séculos. Daí surge a 42 que entra em vários países gratuitamente e oferecendo algo único e promissor para os jovens. Quem sabe não é o começo de um acordar para novas formas de fazer pedagógico?

Team Amplifica
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