Aprendizagem Baseada em Projetos | Os 12 Mitos mais Comuns

#12 Mitos mais Comuns sobre
Aprendizagem Baseada em Projetos | PBL

 

Mito 1: Aprendizagem Baseada em Projeto = estudantes fazendo projetos.

Entre os mitos mais difundidos sobre a aprendizagem baseada em projetos está o fato de os alunos “fazerem projetos” equivaler aos alunos aprenderem por meio da ABP.

Embora seja improvável que os alunos concluam projetos sem aprender nada, a aprendizagem baseada em projetos enfatiza o processo de aprendizagem por meio do design e da execução de projetos. Em outras palavras, os estudantes certamente estariam aprendendo fazendo projetos, mas não seria a aprendizagem baseada em projetos porque o foco seria o projeto e não o aprendizado.

A aprendizagem baseada em projetos não é o mesmo que ‘projetos baseados em aprendizado’.

Planejamento, pesquisa, colaboração, solução de problemas, iteração, pivotagem, publicação e outros ‘verbos PBL’ (isto é, tarefas cognitivas comumente necessárias para concluir projetos em PBL) exigem propriedade, bem como pensamento criativo e crítico por parte do público. Para os alunos, o PBL se concentra idealmente no aprendizado como um processo e crescimento ao longo do tempo, enquanto os projetos fornecem artefatos desse processo e crescimento para refletir, curar e simbolizar o desempenho humano (versus o desempenho do aluno).

 

Mito 2 : O professor deve planejar os projetos.

Os professores podem planejar os projetos – ou componentes dos projetos como cronograma, tarefas, pontos de verificação, colaborações, propósitos e audiências, etc., mas idealmente, professores e alunos trabalham juntos, apoiados por especialistas relevantes, membros da comunidade e famílias, para liderar o processo de aprendizagem ao longo do tempo – e como os alunos se vêem ao longo do caminho.

 

Mito 3 : O Aprendizado Baseado em Projetos torna difícil / impossível a instrução baseada em padrões.

A instrução baseada em padrões é uma abordagem de ensino que coloca o conteúdo em si (na forma de padrões acadêmicos) no centro do processo de aprendizado.

Essa abordagem ao ensino tem sido parte da fundação da reforma educacional moderna, onde os educadores tornam-se muito claros sobre padrões e “o que dizem” (muitas vezes por meio de metas de aprendizado), projetam avaliações exatamente em torno desses padrões e sistemas de classificação baseado em padrões.

Se você vai se concentrar seriamente no domínio dos padrões acadêmicos, a aprendizagem baseado em projetos parece uma escolha curiosa – e eu teria que concordar. Se sua ideia é o ensino conteudista, pode haver melhores abordagens para o trabalho do aluno, aprendizagem e crescimento do que o PBL (embora isso também seja subjetivo). Se, no entanto, você estiver interessado em ajudar os alunos a conseguirem transferir consistentemente conhecimentos e competências de sua sala de aula para a vida e o futuro que vêem (ou têm dificuldade em enxergar), a aprendizagem baseada em projetos é uma excelente escolha.

Nem sempre é fácil alinhar padrões e PBL, mas também não é na instrução direta ou qualquer outra coisa que uma escola ou um professor trabalhem diariamente para ajudar as crianças a crescer. É tudo difícil.

O que nos leva ao mito #4…

 

Mito 4: “Fazer PBL” significa que você não pode “fazer” outras coisas também.

Este é um dos mitos mais problemáticos sobre a aprendizagem baseada em projetos, principalmente porque pode desencorajar professores e/ou escolas a usá-la completamente.

Não importa em que metodologia de ensino sua escola está se concentrando, há poucas chances do PBL não se encaixar nela. Apesar de a PBL ser a principal maneira de enquadrar no currículo o trabalho que os alunos farão na busca do domínio do conteúdo, ela não precisa ser a única proposta de ensino.

De fato, concentrar-se em ‘um programa de cada vez’ é uma maneira curiosa de buscar a melhoria escolar e o aproveitamento dos alunos. Se você vai realmente se concentrar em uma coisa, deve ser na melhoria da vida dos alunos. Todo o resto pode acontecer a partir daí.

 

Mito 5: Os professores devem sempre avaliar o projeto.

Você obviamente pode avaliar o projeto, porém a aprendizagem baseada em projetos é aprendizado através do design e execução contínua de projetos multifacetados.

Se você acredita que o aluno se beneficiaria da avaliação do produto final ou do artefato (supondo que haja um), avalie-o. Se o feedback oral / narrativo para você faz mais sentido, faça isso.

Se o feedback de alguém da comunidade ou de um especialista em conteúdo fizer mais sentido, faça isso.

Faça o que faz sentido para o seu aluno.

 

Mito 6: Os alunos aprendem menos em Aprendizagem Baseada em Projetos.

Isso depende dos dados que você está procurando, como você define ‘aprender’ e como está disposto a olhar para a sua própria escola e sala de aula como uma espécie de laboratório de pesquisa que produz dados para você.

Existem estudos ​​que dizem que o PBL ‘não funciona’, o que significa que tem sido demonstrado que os alunos não aprendem de forma eficaz através da criação de produtos ou liderando esforços para entender e melhorar a comunidade. O que significa que estes estudos são absurdos. A educação precisa de pesquisas melhores, e os resultados do uso misto de PBL são um excelente exemplo disso.

O que importa é o aprendizado, não a suposta pesquisa que apenas prevê o que leva a um aprendizado eficaz em contextos universais e avaliações que têm pouco a ver com a realidade de seus alunos.

 

Mito 7: Aprendizagem baseada em projetos requer tecnologia cara.

Nenhum aprendizado requer tecnologia, a menos que você esteja aprendendo sobre tecnologia.

Usar a tecnologia na aprendizagem baseada em projetos certamente pode aumentar seus pontos fortes e ampliar sua escala – e até mesmo permitir uma personalização mais precisa do processo de ensino e aprendizado da ABP – mas não é absolutamente necessário, nem mesmo deve ser considerado menor sem ela. O que importa é o processo, não a tecnologia.

 

Mito 8: A Aprendizagem Baseada em Projetos é menos “rigorosa” do que o trabalho acadêmico tradicional.

Simplificando, o PBL não é inerentemente mais ou menos rigoroso do que o “trabalho acadêmico tradicional”.

Você pode trabalhar com Shakespeare em um projeto de pesquisa de muitas páginas em uma unidade temática complexa e pode criar um projeto bastante solto e simples que resulta em uma demanda cognitiva muito pequena – e, neste caso, seria verdade que o primeiro é “mais rigoroso” que o segundo.

Mas você também pode pedir aos alunos que trabalhem com organizações locais de qualidade da água para projetar e implementar práticas comunitárias que levem a bacias hidrográficas mais limpas e, garantir uma ecologia nativa baseada em água intacta e robusta – um projeto que poderia ter componentes de pesquisa, demandas de redação e alfabetização, uso de tecnologia especializada, publicação extensiva e muito mais.

É importante frisar que o ‘rigor’ é um dos termos mais incompreendidos na educação e não é inerentemente ‘bom’. Entre ‘aprendizado acadêmico’ e ‘aprendizagem baseada em projetos’, não há nada melhor ou pior que o outro.

Eles também não são mutuamente exclusivos.

 

Mito 9: O professor sempre tem que criar uma rubrica.

O professor pode criar rubricas (critérios para avaliação), ele é especialista na área. Mas sua habilidade em criar rubricas pode ser usada pelo aluno para co-criar uma rubrica. Ou talvez o professor possa conectar o aluno a um especialista ou a um público autêntico para ver o que faria o “projeto” funcionar.

Pode ser possível que, dependendo do contexto, o professor seja a melhor pessoa para criar a rubrica, mas não precisa ser o caso.

 

Mito 10: A Aprendizagem Baseada em Projetos dificulta o gerenciamento da sala de aula.

O mau gerenciamento da sala de aula é que dificulta o gerenciamento da sala de aula.

A falta de liderança na escola pode dificultar o gerenciamento da sala de aula. Um plano mal formulado sobre comportamento da classe ou da equipe pode dificultar o gerenciamento da sala de aula.

Embora seja possível aprender através de projetos, isto pode levar a desafios. Mas manter os alunos sentados para obter instrução direta e abordagens “convencionais” também não é algo simples e muitas vezes não funciona.

 

Mito 11: A Aprendizagem Baseada em Projeto não é ‘baseada em pesquisas’.

Falso. O site Edutopia (em inglês) fez uma excelente revisão sobre PBL.

Mas a verdade é que precisamos de uma melhor pesquisa em educação. Faça sua própria pesquisa em sua própria escola ou sala de aula – e convide especialistas para ajudar.

 

Mito 12: Os alunos devem publicar o trabalho para um público do “mundo real”.

Esse mito sobre PBL não é extremamente problemático porque, em geral, é um conselho sólido. (É por isso que está tão baixo na lista.)

Autenticidade é uma palavra frequentemente lançada em torno de espaços na educação para descrever o trabalho, conhecimento ou habilidades do “mundo real”. Considere que, embora a autenticidade seja ‘boa’ e ‘audiências do mundo real’ para o trabalho do aluno possam aumentar essa autenticidade, também pode complicar os projetos e, assim, o processo de aprendizagem vira um emaranhado de questões de privacidade, segurança estudantil, cidadania digital e dezenas de outras preocupações relacionadas.

Embora seja um catalisador para o engajamento estudantil, o aprendizado baseado em projetos não tem absolutamente que acabar “resolvendo problemas do mundo real”. Se a oportunidade se adequar à necessidade do aluno, faça acontecer. Se não, concentre-se no aluno e em suas necessidades, em vez de algum senso artificial de progresso e inovação.

 Traduzido e Adaptado por Estêvão Zilioli.  Disponível no <12 Myths About Project-Based Learning by Terry Heick>
Carla Arena
Carla Arena

Malabarista, curiosa, eterna aprendiz, geek, educadora. Carla é apaixonada por aprender e retribuir. Por isso, se tornou professora e focou em desenhar experiências de aprendizagem para educadores e gestores. Carla sente-se privilegiada em ter trabalhado por 17 anos em uma Binacional em Brasília, a Casa Thomas Jefferson, onde foi Coordenadora do Departamento de Inovação e Tecnologias. Adora estar cercada por pessoas que a inspiram. Para Carla, ser AMPLIFICA significa começar movimentos, conectar educadores e profissionais fantásticos em busca de novos horizontes no meio digital.

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