8 dicas para Não Transformar o seu Makerspace no Próximo Laboratório de Informática

O movimento maker já existe há muito tempo, e se considerarmos Dewey, Papert, entre outros educadores, diríamos que já existe há décadas! Indo ainda mais longe, olhando para o makerspace como aquelas garagens onde as crianças costumavam trabalhar com os pais em projetos, consertar as coisas e resolver um problema, ele está realmente lá há muito muito tempo. No entanto, o chamado movimento maker aqui no Brasil está realmente ganhando tração agora como proposta pedagógica. As escolas estão fazendo orçamentos, considerando opções para inovar, para mudar os ambientes de aprendizagem, mas há um perigo. Um velho tipo de perigo. O perigo de estar preso no equívoco de suposições erradas. No caso dos makerspaces, o principal pressuposto é que, se eu tiver um novo espaço com ferramentas, gadgets digitais e tudo mais, o aprendizado ocorrerá.

Isso é exatamente o que aconteceu quando as escolas decidiram criar laboratórios de informática nos anos 90 e 2000. Eles melhoraram, aprofundaram o aprendizado? Não necessariamente. Por quê? Porque na maioria das vezes as decisões eram de cima para baixo com a ideia de mostrar aos pais por que as escolas que eles optaram por seus filhos eram legais, inovadoras, criativas, infusas em tecnologia. E em muitos casos, não havia um plano de mudança estruturado para as salas recém-criadas, techie e cheias de tela. Os labs não foram integrados de maneira mais sistemática ao currículo. Foi algo à parte. Era quase como se tivéssemos tecnologia de um lado e educação de outro. Pouquíssimos programas foram pensados para melhorar a aprendizagem. Quantas vezes você viu a sala de computadores sendo usada apenas para consumo de conteúdo, pesquisa na Internet, tempo de reprodução (mas no sentido de lazer, não de descoberta e exploração), quizzes online? Eles ajudaram a mudar a educação? Não.

Então, se a suposição estava errada naquele momento e nós a fazemos novamente, teremos um resultado diferente? Certamente não! Nossa única chance é se olharmos para as nossas antigas salas de informática que queremos transformar em makerspaces e fazer o certo, com uma estrutura honesta e cuidadosamente planejada e com a mentalidade certa. Este ano, tive o prazer de visitar oito cidades diferentes no Brasil com a Richmond e sua equipe maravilhosa para falar sobre como começar um movimento maker, e foi o primeiro pequeno passo para mobilizar a comunidade educacional sobre o que o movimento maker realmente significa.

Então, se você me perguntar como, onde você deve começar. Aqui estão algumas dicas para você começar com um mindset que é realmente sobre aprendizagem, investigação, experimentação, ensino por pares, colaboração, desenvolvimento de competências socioemocionais e habilidades técnicas também:

1. Explore com carinho e analise a comunidade que você atende. Quais são as suas necessidades, quais são as suas dores, quais são os seus interesses? Você deve começar por onde eles estão. Pergunte, observe, tenha alguns workshops de descoberta, faça pequenos projetos para testar suas hipóteses.

2. Aprenda e co-crie com a área acadêmica. Envolva professores, alunos e líderes no processo de planejamento de como a equipe estará preparada para o movimento maker em sua instituição. Somos todos criadores, mas tenho certeza de que existem alguns fazedores que já estão na ativa prontos para serem escolhidos. O engajamento é fundamental para desenvolver um novo mindset, uma mentalidade fazedora.

3. Procure inspiração e referências! Hoje em dia, há milhares de makerspaces e profissionais fazendo coisas incríveis. No Richmond Talks, comparilhamos algumas referências e você pode encontrar uma inspiração inicial para começar.

4. Se você está pensando em redesenhar um espaço que foi utilizado para outra finalidade (sua sala de informática, por exemplo), você precisa estar atento e levar em consideração alguns aspectos muito importantes para um ambiente maker: piso, iluminação, móveis ágeis, armazenamento, segurança , ferramentas, instalação elétrica, entre outros. Procure por aconselhamento profissional. Às vezes, queremos economizar alguns reais fazendo tudo internamente, mas os profissionais podem ajudá-lo a não ter dor de cabeça no futuro. Acredite, soluções caseiras podem sair muito caro.

5. Não compre as coisas com pressa só porque todo mundo está fazendo isso. Pergunte, olhe para o mercado, informe-se. Você vai perceber que talvez uma solda é muito mais importante do que uma impressora 3D para começar. A decisão sobre o que comprar será informada por sua comunidade e seu currículo.

6. Integre as atividades e programas às práticas pedagógicas e não algo à parte (lembra do laboratório de informática?)

7. E, é claro, a fim de implementar um programa pedagógico conectado à sala de aula que faça sentido, o desenvolvimento profissional continuado vem em primeiro lugar. Portanto, considere oportunidades continuadas para a equipe entender e internalizar os conceitos e práticas maker para realmente desenvolver um mindset fazedor.

8. Vá além da tentação de querer seu espaço maker apenas para fins de marketing para aumentar o número de matrículas. Não faça do movimento maker a próxima onda “hypada” da escola sem um objetivo pedagógico e uma equipe treinada e entusiasmada, antenada com o projeto.

Estas são as dicas iniciais que aprendi desde 2014 quando comecei a trabalhar com uma equipe incrível de Makers na Casa Thomas Jefferson, em um programa maker  muito rico, focado e orientado para a investigação, descoberta e comunidade. Espero que as dicas ajudem você a não cometer o erro de simplesmente quebrar algumas parede, fazendo algumas reformas sem realmente considerar o poder transformador que um espaço pode ter no ensino e aprendizagem, se feito corretamente.

Faça da armadilha inicial que você pode estar tentado a cair em uma jornada incrível e conectada com novas oportunidades de aprendizagem em sua comunidade educacional.

Quer conhecer um espaço maker incrível, se conectar com outros educadores e gestores e ainda ter uma jornada de aprendizado para capacitar sua equipe e aplicar com seus alunos? Participe da nossa Imersão Amplifica em Metodologias Ativas.

Tradução livre originalmente publicado no http://www.richmondshare.com.br/makerspacesconsidered
Carla Arena
Carla Arena

Malabarista, curiosa, eterna aprendiz, geek, educadora. Carla é apaixonada por aprender e retribuir. Por isso, se tornou professora e focou em desenhar experiências de aprendizagem para educadores e gestores. Carla sente-se privilegiada em ter trabalhado por 17 anos em uma Binacional em Brasília, a Casa Thomas Jefferson, onde foi Coordenadora do Departamento de Inovação e Tecnologias. Adora estar cercada por pessoas que a inspiram. Para Carla, ser AMPLIFICA significa começar movimentos, conectar educadores e profissionais fantásticos em busca de novos horizontes no meio digital.

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