[Maker Faire New York 2018] Oito aprendizados da Maker Faire para a sala de aula

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Educadores que participam de uma feira maker presenciam  os pilares da educação progressista em ação. Vemos acontecer na frente dos nossos olhos o que Dewey disse ser a essência  do

aprendizado: “Dê aos alunos algo para fazer, não algo para aprender; e se a atividade  exigir pensar e conectar ideias , os estudantes naturalmente aprenderão. Se o filósofo participasse de qualquer uma das oficinas da feira, ele reconheceria facilmente o aprendizado que descreveu ao observar os alunos consertar e experimentar, repetir e fracassar e refletir sobre suas experiências práticas para informar suas decisões.

Compartilhe o que os alunos criam. Isso faz muita diferença

A maioria das plataformas usadas na faire (Scratch,Makerscad, Tinkercad, Swappforkids) proporciona às pessoas a oportunidade de compartilhar com uma audiência autêntica os seus projetos. Fazedores compartilham não só os acertos, mas todo o processo de aprendizado. Durante a feira, as pessoas se ajudam, vibram  e aprendem juntas. A inteligência do grupo faz com que a pessoa reflita, questione e refine o processo e tome decisões informadas. Na nossa sala de aula, o compartilhamento com uma audiência autêntica estimula o refinamento da produçāo escrita ou oral além de dar ao nosso aluno a oportunidade de analisar e produzir textos de diversos gêneros literários. Por exemplo, ao pedir que os alunos façam um site, o professor pode incentivar que os alunos analisem as características, voz e público alvo.  Sabendo que o site será lido por pessoas na vida real, os alunos, provavelmente, se empenharāo mais do que se estivessem escrevendo somente para o professor.

Incentive alunos a criar algo tangivel (digital ou analógico)

O Construcionismo, uma visão desenvolvida pelo matemático e educador Seymour Papert, diz que o aprendizado acontece mais facilmente quando estudantes manipulam mídia (legos, blocos de código, etc.). Papert, conhecido como o pai do movimento do fazer, foi o pioneiro do uso da tecnologia educacional para a criação de artefatos digitais que podem ser compartilhados, modificados e melhorados. O educador ficaria muito feliz em ver o que o movimento do fazer traz de oportunidade para a educação e como alunos e professores estão criando soluções, animações, tecnologia assistiva e educacional e gerando impacto social com propósito e significado.

Acredite no encantamento

A maker faire é um lugar mágico. Conhecemos pessoas apaixonadas pelo que estão compartilhando. Brilho nos olhos, sorrisos e abraços permeiam a forma com que as pessoas se relacionam por lá. As crianças estāo felizes e mergulhadas em descobertas. Artistas, designers, educadores, cientistas e inventores conversam e se conectam. Nāo tem ninguém tentando convencer ninguém que a educação precisa mudar. A forma de aprender e ensinar já é diferente. Antes de pensar no currículo, na pergunta norteadora e na sequência das atividades, experimente e sinta na pele o que é ser um aprendiz em um mundo diverso, plural e rico de recursos e oportunidades. Dê aos seus alunos a possibilidade de se apaixonar pelo aprendizado e pelo ambiente vibrante da sua sala de aula.

Competências primeiro, TECNOLOGIA DEPOIS

As ferramentas que vemos sendo usadas na maker faire são fantásticas e poderosas. No entanto, elas nāo sāo o fim, mas o meio. Numa aula que observei recentemente, a professora pediu que os alunos criassem a escola do futuro. Durante o processo, comunicaram idéias, colaboraram e aprenderam a cortar, desenhar e fazer uma animaçāo. Saber como criar ecossistemas que promovem  colaboração, comunicação genuína e motivante é a grande vantagem de se ter um modelo mental maker.

Seja resiliente

Tanta novIdade e curvas de aprendizado a nossa frente pode ser aterrorizante. Acredite que você pode transformar a sua maneira de ensinar, nāo tenha medo de errar e tenha sempre perto de você a sua rede de apoio – pessoas que compartilham o seu sonho. Se nós professores formos curiosos, humildes e soubermos encarar os desafios de uma forma positiva, o impacto na nossa sala de aula será enorme.

Prototipe suas ideias e peça ajuda

Durante o fórum educacional, ouvimos o Aaron (da Google) nos falar sobre a implementaçāo dos makerspaces por lá. No começo, as pessoas usavam o espaço para programar e as impressoras 3D ficavam lá juntando poeira. Segundo ele, somente depois de algum tempo as pessoas começaram a vir prototipar suas invenções. De repente, as pessoas estavam ensinando e aprendendo e o espaço deixou de ser a sala da impressora para se tornar em um espaço de aprendizado. Na nossa prática de sala de aula, é a mesma coisa. Queremos colocar ideias em prática, mas temos medo. Precisamos que a nossa sala de professores nos inspire a aprender. Precisamos que a nossa sala de aula nāo seja um espaço de ensinar  técnicas e fórmulas e sim em um espaço onde as pessoas se apoiam na construção do aprendizado.

Ensine para a vida

Universidades renomadas apontam para a tendência emergente de focar nas experiências dos alunos em espaços do fazer. O Chris Anderson do MIT deu uma mini palestra sobre como eles analisam os currículos dos candidatos. Segundo ele, os candidatos que conseguem explicar o projeto, e versam bem sobre o propósito, levam uma grande vantagem. É importante para o MIT que o candidato crie uma narrativa sobre o que é o projeto, para que ele serve e para quem ele cria impacto.  Claro que nem pouquíssimos alunos brasileiros são aceitos no MIT e que o nosso sistema de aprovaçāo para o ensino superior é bastante. Mas, se provocarmos nos nossos jovens a terem esse tipo de reflexāo, mostrarmos as possibilidades de ferramentas gratuitas e comunidades de apoio, eles ficarāo mais preparados para as incertezas do futuro.

Confira o álbum de fotos da experiência do Maker Faire New York 2018.

 blog do CTJMakerspace da Casa Thomas Jefferson
Carla Arena
Carla Arena

Malabarista, curiosa, eterna aprendiz, geek, educadora. Carla é apaixonada por aprender e retribuir. Por isso, se tornou professora e focou em desenhar experiências de aprendizagem para educadores e gestores. Carla sente-se privilegiada em ter trabalhado por 17 anos em uma Binacional em Brasília, a Casa Thomas Jefferson, onde foi Coordenadora do Departamento de Inovação e Tecnologias. Adora estar cercada por pessoas que a inspiram. Para Carla, ser AMPLIFICA significa começar movimentos, conectar educadores e profissionais fantásticos em busca de novos horizontes no meio digital.

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